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OPINIÃO

Desafios de hoje

            Vivemos um tempo de imensos desafios. Em todas as áreas da vida humana. Na família, no trabalho, nas universidades e escolas, na política, na gestão pública, na gestão privada. Especialmente, o desafio da percepção dos cenários que atropelam tudo. Mas quero aqui deter-me em poucos aspectos.

Um deles a re-visão do modo de governar.  Fazer política deixa de ser atividade corporativa de grupos e de partidos e passa a ser um forte elemento do interesse social. Se os órgãos públicos de fiscalização não derem pra trás, o Brasil vai mudar muito. No futuro próximo.

            O sistema político brasileiro criou um modelo de gestão pública amordaçado numa droga chamada de “Pacto Federativo”. Ele regula a relação dos municípios, estados e União. Claro que a União ganha disparado e sufoca os outros dois. Na noite de terça-feira assisti à palestra do economista Carlos Velloso, feita no Dia da Indústria, em Cuiabá. Ele revelou que através do pacto, o governo federal “mata” os governos estaduais e subordina todos os governadores a normas financeiras, fiscais e econômicas elaboradas no Ministério da Fazenda por “boys” recém-saídos de universidade e despreparados pra o mínimo de compreensão de uma máquina política do tamanho de uma nação.

            A ida dos governadores ao presidente da República no dia de ontem foi para pressionar uma renegociação mínima da dívida de todos com o Tesouro Nacional. Em algum momento ela foi calculada e bases cruéis de agiota. Mato Grosso foi em 1997.  Outro pecado é a chamada vinculação das receitas. O executivo tem só alguns centavos pra investir em infraestrutura, etc. O resto do orçamento é fixo e vai para fundos, pra educação, pra saúde, pra pessoal e pra dívidas.

            É um ponto de estrangulamento que se for superado, estados como o nosso terão recursos novos pra investir. Mas, sempre e sempre, será preciso a pressão popular. Greves de servidores, protestos de produtores estão todos ligados à execução dos orçamentos e à subordinação dos estados à União. Lembrado que grande parte da força política está nos estados e não no governo federal.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.      wwwonofreribeiro.com.br

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